“O objetivo é ter um campeonato completamente diferente de 2010”. Esta era a expectativa de Felipe Massa antes do começo da temporada. Mas as coisas continuaram dando errado, e o brasileiro voltou a conviver com a pressão. Mais do que nunca, o fator psicológico passou a ser mais um adversário. Nas duas primeiras corridas, os erros da Ferrari deixaram o brasileiro longe do pódio, o que voltou a acontecer na Turquia e na Espanha. Em Mônaco, o brasileiro errou na pista, e na última prova no Canadá, Massa teve a chance de brigar por pódio, mas se atrapalhou e acabou com o sexto lugar. Para João Ricardo Cozac, presidente da Associação Paulista da Psicologia no Esporte, os problemas de Massa são agravados pela falta de confiança e motivação. “Existe o que a gente chama de nível de tolerância que cada atleta é capaz de suportar. E o Felipe, nos últimos três anos, não obteve os resultados de acordo com os treinamentos, com o passado vitorioso dele. E isso se torna mais um fator negativo”, explicou. Massa não deixou a má fase afetar o seu equilíbrio e concentração. Mas, segundo o especialista, isolou-se em uma “zona de conforto”, sem se mobilizar para melhorar. Isso está relacionado com os seguidos erros da Ferrari, que compropmetem ainda mais a motivação do piloto. “Tudo aquilo que foge do seu controle e não dá certo leva a uma reação emocional negativa no primeiro momento. Quando os erros continuam, a tendência é que essa reação vire apatia, como se ele já esperasse”, avaliou o psicólogo. Por isso, uma eventual mudança de equipe poderia fazer bem ao brasileiro. Ainda sem pódio e com um quinto lugar como melhor resultado em 2011, Massa ocupa a sexta posição do campeonato, com 32 pontos, 37 a menos que o companheiro Fernando Alonso. O brasileiro está sem pódio há nove corridas, e a sua última vitória foi no GP do Brasil de 2008.
O veterano falou em falta de sorte, mas Massa teria razão em pensar na “Lei de Murphy”, segundo a qual tudo que pode dar errado vai acontecer. Depois de ser bombardeado pela opinião pública no ano passado por deixar Fernando Alonso passar, Massa teve a chance de um recomeço em 2011. No entanto, após sete corridas, parece que ele vai precisar de outra.“Você faz tudo certinho, e chega na hora fura um pneu, quebra uma peça... todo mundo passa por isso. Não tem nada a ver, mas quando acontece, você acha que foi atração, mas acontece porque tem que acontecer. Quando o cara está em uma fase ruim, atribui tudo ao azar, mas todo mundo passa por isso”, opinou Ingo Hoffmann, maior campeão da Stock Car e ex-piloto de Fórmula 1 pela Copersucar-Fittipaldi.
“Nunca fui a favor do achismo, a gente não sabe se a equipe está favorecendo. É a mesma coisa no futebol, sempre tem um culpado e se fala em mudar de time. Mas se o Felipe mudar de equipe, ele vai para onde? Só se for para uma equipe pior, porque ele não teria espaço na Red Bull ou na McLaren. Então ele não tem que mudar de equipe. No lugar dele, ficaria onde está”, comentou o ex-piloto.“Parece que ele está precisando de uma repaginada na carreira, e isso pode significar uma mudança de equipe, de ares, de grupo de trabalho, e adotar um novo desafio para a carreira dele”, continuou o especialista. Mas Ingo Hoffmann não concorda com essa teoria.



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